COTIDIANO | Fonte: Folha de Pernambuco

Nova medicação contra esteatose hepática será testada em Pernambuco

O Instituto do Fígado e Transplantes de Pernambuco (IFP) é uma das dez instituições do Brasil selecionadas para testar uma nova droga contra a esteatose hepática, quadro conhecido como gordura no fígado. A medicação é a nova aposta mundial contra a doença que tem forte relação com a obesidade e alcoolismo. O produto, que foi desenvolvido por pesquisadores franceses e americanos, chega agora na fase 3 de testes para alcançar a segurança e eficácia em um número maior de pacientes. No Brasil, a meta é que pelo menos 20 voluntários participem dos estudos em cada centro.

A novidade foi apresentada durante o Hepato Pernambuco 2017, que aconteceu até essa quinta (18) no Recife. O evento englobou ainda o 21º Workshop Internacional de Hepatites Virais de Pernambuco e o 10º Simpósio de Transplantes de Fígado, carcinoma, Hepatocelular e Hipertensão Portal – Brasil/ Inglaterra. Participaram especialistas do Brasil, Europa e EUA. As atividades continuam até este sábado (20) no 1º Simpósio internacional Nasha, que acontece em Fernando de Noronha, com a temática da esteatose.

A presidente do IFP, a médica Leila Beltrão, contou que para o início dos testes com os voluntários é necessário a liberação da Comissão de Ética e Pesquisa do Brasil, o que deve acontecer em breve. Mais de duas mil pessoas já fizeram uso dos comprimidos em outras fases da pesquisa desenvolvida mundialmente pela farmacêutica Genfit. Leila Beltrão destacou que a gordura no fígado e as inflamações associadas se tornaram uma das principais preocupações dos especialistas nos últimos anos.

“As hepatites virais sempre foram o topo das doenças do fígado. Mas, hoje já é possível a cura de quase 95% dos pacientes de hepatite C quando tratados e na hepatite B existe vacina e uma terapia. Então, a doença do século 21 é a esteatose hepatite”, disse. A presidente do IFP acrescentou que a comunidade médica está em alerta porque a gordura mais o processo inflamatório pode levar a cirrose hepática e ao tumor de fígado mesmo sem cirrose. “Isso que está assustando um pouco a nós da área e a população. Uma pessoa pode ter um câncer no fígado sem ter a cirrose.”

A coordenadora nacional da pesquisa, a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Cláudia Oliveira, ressaltou que os pacientes a serem inseridos no estudo têm um perfil bem específico. “Ele deve ter tem fibrose avançada, mas não pode ter cirrose, idade entre 18 e 75 anos, e se for diabético que esse quadro esteja bem controlado. Todos ainda devem apresentar biopsia de até seis meses”, enumerou.

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