VIDA URBANA | Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Lar Rejane clama por solidariedade

Único abrigo voltado para crianças com deficiência e vítimas de violência no Recife pode fechar após interrupção de doação fixa

O Lar Rejane Marques, único abrigo do Recife voltado para crianças com algum tipo de deficiência e vítimas de violência, corre o risco de fechar as portas. Após perder uma doação fixa que era feita por uma empresa pernambucana, a casa de acolhimento busca novos parceiros para não precisar encerrar as atividades no ano em que completa uma década de funcionamento. Para fazer um apelo à população sobre a crise, voluntários fizeram uma apresentação teatral para motoristas que paravam no semáforo da esquina da Rua Amélia com a Avenida Rui Barbosa, nas Graças, Zona Norte do Recife, na tarde de ontem.

Seguindo o tempo do sinal fechado – um minuto e meio – os voluntários encenavam como acontece o acolhimento do lar, mostrando que o abrigo resgata crianças vítimas de violência. “Depois de termos perdido essa doação fixa, estamos numa situação delicada. Só temos verba para manter o lar por mais um mês”, ressaltou a coordenadora do Lar Rejane Marques, Danielly Silva.

A principal demanda da entidade atualmente é pagar os funcionários. São 16 babás para as oito crianças que estão abrigadas. Elas se revezam em turnos de 24 horas e contam ainda com a ajuda de auxiliares. “Elas são fundamentais para o funcionamento, pois são as pessoas que cuidam diretamente das crianças. Sem ter como pagá-las, não sabemos onde esses meninos e meninas ficarão”, lamentou Danielly.

No abrigo, localizado no bairro de Campo Grande, as crianças vítimas de abandono, violência, negligência familiar e vulnerabilidade social ganham moradia, assistência social, reforço escolar, atendimento médico e psicológico. Enquanto esse trabalho é realizado, outras equipes fazem contato com as famílias e tentam a reintegração das crianças. Em último caso, a Vara da Infância busca a adoção delas por meio do Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Em 2011, o abrigo foi reconhecido como entidade de utilidade pública pela Câmara Municipal do Recife.

Desde 2007, quando foi criada, a casa já acolheu 189 crianças. Dessas, 40% foram reintegradas à família. As demais foram encaminhadas a outras instituições quando atingiram a maioridade ou foram adotadas. “Outro grande problema que enfrentamos é o baixo número de adoção de crianças com alguma deficiência. Representa apenas 1% de todas as adoções concretizadas no país. No ano passado, por exemplo, apenas três crianças com deficiência, uma delas com microcefalia, foram adotadas no Recife”, ressaltou Danielly. Informações sobre como ajudar a instituição podem ser obtidas pelo telefone (81) 3241-4249. Doações podem ser feitas na conta do Banco Bradesco, agência 1230, conta corrente 43072-2.

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