COTIDIANO | Fonte: Folha de Pernambuco

Com falta de médicos, exames e ambulatório, Correia Picanço vira alvo de inquérito do MPPE

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abriu novo inquérito civil para investigar uma série de irregularidades no Hospital Correia Picanço, unidade de referência para o acompanhamento de pacientes com HIV/Aids no Estado. Publicada do Diário Oficial, a portaria 158/17 apura a falta de especialistas para assistência dos pacientes, o desabastecimento de remédios e o atraso na criação de um ambulatório de coinfeção de HIV e tuberculose.

A promotoria deu prazo de 20 dias para que a Secretaria Estadual de Saúde (SES), através da Gerência de Prevenção e Controle da AIDS e outras DSTs, se pronuncie sobre as acusações no hospital localizado no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife. Na ponta, os usuários do serviço reforçam que a situação de caos tem tirado o sono. Soropositivos vêm deixando de fazer exames e desarticulando o acompanhamento médico porque os prazos para as consulta demoram meses.

“Estou com meus exames feitos desde outubro e não consegui até agora marcar a volta. Só vou conseguir quando abrirem a nova agenda agora para 2018. É um problema caótico esse acesso ao infectologista”, comentou Jerônimo Ribeiro, paciente do Correia Picanço e coordenador regional da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+). Segundo ele, conseguir retornar para o infectologista exige paciência por que há poucos profissionais no hospital. O tempo de espera médio é de quatro meses.

A RNP+ foi a responsável pela denúncia dos transtornos no serviço. Jerônimo Ribeiro ainda comentou que, se por um lado a situação já é difícil para conseguir infectologista na unidade, por outro é caótica para ter acesso a médicos de urologia, proctologia e cardiologia que não existem no hospital.

Outro cenário preocupante é o da deficiência para a realização de exames laboratoriais. De acordo com os pacientes apenas os testes de carga viral e o exame CD4 (que verifica a imunidade do soropositivo) são realizados. “Nem hemograma, triglicerídeos e colesterol são feitos lá. Exames que seriam básicos”, contou o coordenador estadual da RNP+, José Cândido, que reforçou haver entregado ao governo uma lista com as demandas dos pacientes há mais de um mês.

A direção do Correia Picanço afirmou que vem dialogando com o MPPE. Sobre a oferta de atendimento especializado, ressaltou que há o encaminhamento a demais serviços de referência no Estado. Quando há necessidade de acompanhamento por proctologistas e urologistas, o paciente é direcionado para serviços de referência por meio da Central de Regulação Ambulatorial do Estado. Em relação ao profissional de cardiologia, foi informado que, a partir do próximo mês, o especialista estará disponível. Atualmente, os pacientes com quadro de cardiopatia são encaminhados para serviços de referência por meio da Central de Regulação de Leitos.

Em relação aos infectologistas, segundo a direção do hospital, o quadro passou por ampliação de 12 para 19, o que teria zerado a fila para marcação. Na questão dos exames, a SES disse que tanto o Correia Picanço como o Laboratório Central de Pernambuco garantem o acesso e a realização de diversos tipos de testes como hematologia, sorologia pra HIV e hepatite B e C, baciloscopia, microbiologia, PCR para infecções oportunistas, entre outros. Já projeto para construção do ambulatório para as coinfecções está sob análise da engenharia da secretaria.

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